10 outubro 2011

O DRAMA DE ASAFE


O DRAMA DE ASAFE

Parte I
Salmo 73


   Quando Asafe escreveu este salmo, já estava numa idade avançada, talvez entre os sessenta e setenta anos. Havia passado toda a sua vida servindo ao Senhor, numa decisão resoluta de agradar-lhe em tudo, e fazer a sua vontade, mesmo isso lhe custando privações e renúncias dolorosas, ele atravessou as décadas firme em suas convicções, fiel ao seu Deus. No entanto, logo no início do salmo encontramos um Asafe vacilante, titubeante, revelando que estava pisando no lodo, no limo de uma estrada escorredia, com questionamentos privados, pensamentos que, como fantasmas o atormentavam e levava-o a duvidar do seu Deus, e da validade de sua vida piedosa.

“Quanto a mim, porém, quase me resvalaram os pés; pouco faltou para que se desviassem os meus passos”. Vs. 2

     Parece-me que os seus questionamentos o conduziram á beira da apostasia, do abandono da devoção ao seu Deus.

 “Pouco faltou para que se desviassem os meus passos”.

 Estava orbitando numa dimensão humana, satânica, que o envolvia e o cegava. O versículo primeiro do salmo traz consigo um tom de sarcasmo para com a bondade e fidelidade de Deus.

“Com efeito, Deus é bom para com Israel, para com os de coração limpo”.

Deus é bom, mas não para mim. Vejo suas bênçãos nos outros, não na minha vida. Até o ímpio goza do seu cuidado, eu, porém, tenho como recompensa aflições e cansaço. Esta é a paga por minha devoção e fidelidade”. Num determinado momento da vida de Asafe, a aparente paz e prosperidade do ímpio enganosamente tornaram-se uma prova incontestável de que, Deus não é tão justo quanto diz ser. Vejamos o que ele observou nos ímpios: vs. 3 a 12.

“Pois eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos”.
Para eles não há preocupações, o seu corpo é sadio e nédio.
Não partilham das canseiras dos mortais, nem são afligidos como os outros homens. Daí a soberba que os cinge como um colar, e a violência que os envolve como um manto.
Os olhos saltam-lhes da gordura; do coração brotam-lhes fantasias.
Motejam e falam maliciosamente; da opressão falam com altivez.
Contra os céus desandam a boca, e a sua língua percorre a terra.
Por isso o seu povo se volta para eles, e os tem por fonte de que bebe a largos sorvos.
E diz: como o sabe Deus? Acaso há conhecimento no altíssimo?
Eis que são estes os ímpios; e sempre tranqüilos, aumentam suas riquezas “.

Nos vs. 13 e 14 sentimos o tom de decepção e frustração do velho salmista.

“Com efeito, inutilmente conservei puro o coração e lavei as mãos na inocência”.

Ele conclui, que não valeu a pena guardar-se incontaminado tentando agradar a Deus. Que foi inútil o esforço para ser um homem com um coração puro, íntegro e reto diante dEle. Ele havia entrado numa fase de completa desilusão. Desiludiu-se com sua fé, concluindo que todos os anos de devoção foram como plumas ao vento. Suas esperanças de recompensas palpáveis nesta vida por sua obediência tornaram-se uma grande decepção. O conflito era titânico se levarmos em consideração que, estas conclusões foram tiradas já no fim de sua vida, chegaram em sua velhice onde esperava estar muito mais firme e amadurecido em Deus. Justamente nesta fase, depois de ensinar a muitos, animar, consolar, repreender, tornar-se um padrão de fé a ser seguido, conclui que sua fé e suas esperanças não passavam de uma construção sobre a areia.
Não havia prosperado, pois invejava a prosperidade dos que não temem a Deus vs. 3.
Eles não tinham preocupações, pois pareciam não adoecer... “seu corpo é sadio e nédio, não partilham das canseiras dos mortais, nem são afligidos como os outros homens” vs. 4-5.  que outros homens? Ele estava falando de si mesmo. Fui fiel a ti toda a minha vida e veja o meu estado! Estou velho e doente, cheio de dores, artrite, artrose, cansaço e enfado enquanto os ímpios estão gozando de boa velhice, para eles não há preocupações, tudo parece dar certo.
Os ímpios são soberbos e cheios de violência, maliciosos e opressores, irreverentes, não temem blasfemar de Deus e ainda são bem vistos e bem recebidos pela sociedade, e com todas essas impiedades eles parecem estar sempre tranqüilos e vão aumentando suas riquezas. Vs. 6-12.
algumas coisas atormentavam a mente desse homem de Deus, a premiação do ímpio com saúde e riqueza e a aflição do justo com doenças e pobreza.
Em sua amargura contra o suposto tratamento injusto que recebia de Deus, Asafe descia cada vez mais para uma zona extremamente perigosa;

“Pois de contínuo sou afligido, e a cada manhã castigado”. Vs 14

Quando não entendemos que os caminhos de Deus São mais altos que os nossos, e que, sua condução vem de um coração amoroso e cuidadoso por nós, de um Deus que está obstinado a construir em nós o caráter perfeito de seu filho Jesus, então, cada prova, cada obstáculo que nos é posto pelo caminho tornam-se um castigo de Deus, uma punição e não um meio de transformação e santificação. O coração amargurado vê até mesmo nas lutas diárias e inevitáveis do dia a dia, um ato de injustiça de Deus. Era assim que asafe estava se sentindo, injustiçado, traído, enganado pelo seu Deus que supostamente não estava sendo tão fiel a ele como o próprio asafe havia sido durante toda a sua vida.
“O Senhor folga para os ímpios e aperta para os seus santos”. Onde está a tua justiça? Estas eram as suas acusações mais secretas contra Deus. Ele não falava, não as expressava em público. Ninguém sabia ou sequer imaginava que o “grande salmista e compositor” asafe estava a beira da apostasia, assim como muitos filhos de Deus sinceros estão silenciosamente morrendo, cansados e afadigados, sentindo-se frustrados e até mesmo desamparados por Deus. Ele disse:

“Se eu pensara em falar tais palavras, já aí teria traído a geração de teus filhos”. vs 15

continua...

Um comentário:

  1. Bom dia e a paz do SENHOR JESUS , cadê a seginda parte do drama de Azafe ? Gostei muito da primeira parte e quwro muito ler acparte dois se possivel for , DEUS continue lhe abençoando e lhe dando inspiração para continuar escrevendo .

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