É preciso definir que papel
queremos exercer em nossa sociedade. Queremos nos impor como igreja e
conquistar o reconhecimento do mundo ou queremos de fato transformá-lo? Já não
passamos mais despercebidos, somos notados, observados e até cobiçados.
Despertamos os mais variados interesses: religiosos, políticos e comerciais.
Somos um povo que consome indiscriminadamente tudo que se refere à fé sem
sequer avaliar o seu conteúdo. Desde cantores que são verdadeiras estrelas, até
pastores que não conhecem o sumo pastor.
Os empresários
descobriram que tudo que se produz direcionado à fé cristã vira ouro
imediatamente. De fato esta igreja é essencial a esta sociedade consumista e
humanista, com instituições que se diluíram e perderam sua verdadeira
identidade. Onde estão os verdadeiros santos de corações quebrantados que não
se empolgam com este crescimento astronômico, sem uma identidade clara e um
conteúdo definido? Será que a nossa identidade está em sermos uma grande
instituição que caminha pelo país dizendo que “o Brasil é do Senhor Jesus?” É
isto que nos diferencia? Será que os que participam destes eventos são de fato
governados por Ele tendo-o como Senhor das suas vidas? Não sei.
Que tipo de
homens, mulheres e jovens compõem nossas instituições? São aqueles que usam as
camisetas, os bonés, que andam nas passeatas e que lotam os grandes festivais
de altas produções? Esta é a nossa verdadeira identidade? São estes aparatos
que nos caracterizam?
Oxalá que
fôssemos conhecidos por parecermos com Cristo expressando seu amor, sua
humildade, sua bondade incomparável, sua justiça e compaixão para com os
perdidos. Sua coragem de remar contra a maré das instituições religiosas e se
misturar aos miseráveis, sendo rico fazendo-se pobre, dono de uma
espiritualidade que não o levava ao orgulho, mas a compaixão. Dono de um poder
que não era usado para proveito próprio nem para explorar a fé simples das
pessoas, mas para socorrer os perdidos e marginalizados que encontrava. Dono de
tão grande sabedoria e conhecimento e mesmo assim transmitiu àqueles que não
tinham como adquiri-los. A essência de sua vida foi o altruísmo, nuca vivendo
para si, mas fazendo o bem e curando os oprimidos do diabo, se humilhando
sempre, perdendo sempre para que outros pudessem ganhar, sujeitando-se a homens
que não o mereciam e os amou profundamente oferecendo nada menos que a própria
vida, nunca buscando o que era seu, mas sempre a vontade do pai. Não exigiu
reconhecimento, ele sabia quem era. O seu maior desejo era imprimir em nós o
seu caráter, seu estilo de vida e sua forma de enxergar o mundo. Quis levantar
uma nova raça de homens não superficiais, amorosos, bondosos, perdoadores e
doadores de vida. Homens parecidos com Deus. De fato a essência do cristianismo
está na pessoa de Jesus e nunca nas nossas grandes conquistas, pois o que para
o mundo é grande para Ele nada significa. Suas próprias conquistas aos olhos
humanos foram um verdadeiro fracasso, pois, depois de tanto fazer e falar
morreu humilhado numa cruz romana entre dois ladrões. Certamente aos olhos
humanos isto foi derrota e não vitória. Todavia a cruz de Cristo é o caminho da
vitória da igreja no mundo, pois, todos que a encontraram foram levados ao
altar do sacrifício para ressurgirem em novidade de vida.
Que choremos
nossa ostentação e desejemos desesperadamente a essência de Cristo.
A grande pergunta
que fica no ar é: O que a igreja tem de fato a oferecer a esta geração? Como
pode uma igreja que usa os recursos que tem para construir impérios
particulares estar cumprindo bem a sua vocação? Será que não nos assemelhamos à
igreja de laodicéia que tinha um conceito de si e o Senhor tinha outro? Tal
situação lembra-me Jr. 5:30-31
“coisa
espantosa e horrenda se anda fazendo na terra”:
Os profetas
profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam de mãos dadas com eles: e é o
que deseja o meu povo. Porém o que fareis quando estas coisas chegarem ao seu
fim?”
Faltam-nos
profetas que enxerguem além desta grossa camada de verniz que nos camufla como
camaleões adaptando-se ao meio. O levantar da igreja nunca poderá ser a
popularização da mesma. O cristianismo puro não combina com popularidade,
porque é um forte ingrediente de Deus derramado e incomoda o reino das trevas.
A pregação do verdadeiro cristianismo transforma homens em discípulos ou em
perseguidores, nunca deixando-os indefinidos, e se há indefinidos é porque
ainda não ouviram o verdadeiro cristianismo. A igreja é a menina dos olhos de
Deus, não pode ser a dos olhos dos políticos nem se vender em troca de favores,
nem negociar o seu conteúdo com corporações que só querem tirar proveito. A
transformação que ela deve esperar e proporcionar não é política, mas, mudança
de vida através da pregação do evangelho do reino que confronta o pecador e o
convida ao arrependimento. O Espírito Santo não necessita de cargos públicos
para realizar a sua obra, embora possa fazê-lo se assim o desejar, mas, de homens comprometidos com Cristo e quebrantados
de coração para fazerem a vontade do pai.
Quem diria
que chegaríamos aonde chegamos! Uma igreja que a alguns anos era ignorada agora
tem políticos nos seus púlpitos com discursos eloqüentes, favorecimentos,
pastores em rede nacional declarando sua posição política. É o sal perdendo o
seu sabor e sendo pisado pelos homens.
Basta ligarmos a
TV para vermos a enorme descaracterização que alguns grupos ditos “Cristãos”
estão impingindo ao evangelho de Cristo. Sacrifica-se a pureza do evangelho por
causa do lucro, da ganância, da cobiça, do desejo desenfreado de ter, e assim,
o nome de Cristo é blasfemado por causa deste outro evangelho que tem sido
pregado. É escandaloso vermos os “representantes dos produtos celestiais”
negociando sem nenhum escrúpulo, explorando e enganando pessoas simples que
literalmente compram as graças que almejam. O espírito de Cristo perdeu espaço
para o sal grosso, os galhos de arruda, as correntes, os patuás ungidos e
benzidos pelos místicos pastores de nossos dias, que se professam portadores da
verdade enganando os incautos e lhes roubando os bens. Estes amuletos são hoje
oferecidos em nome de Deus como se fossem o evangelho de Cristo. Mais
assustador ainda é que temos aprendido a conviver com tudo isso e lentamente
aceitando como algo normal e até dizemos que são nossos irmãos em Cristo apesar
de não crermos nestas coisas. Paulo, o apologista da fé proclama veementemente
que tudo que destoa do evangelho de Cristo e dos apóstolos deve ser considerado
anátema (maldito), um outro evangelho que sequer assemelha-se ao evangelho de
Cristo. Gl. 1:6-9
Estamos numa hora
muito difícil e nem todos enxergam o que está acontecendo a sua volta. Devemos lembrar-nos
da antiga exortação de A.W. tozer que, com grande discernimento em sua época
afirmava que devemos ter unidade com o que é homogêneo e separação do que é heterogêneo,
pois Deus foi o primeiro a separar a luz das trevas.
Concordo plenamente, as vezes nos calamos. Ha alguns dias estava pensando nisso. Precisamos defender nossa fé, sermos apologistas e firmes em falar como filhos do Senhor.É triste quando vemos alguns que comercializam a fé, mais tenho certeza que estes não são do Senhor. Pois o Senhor conhece os seus e deles é conhecido.
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