O DRAMA DE
ASAFE
Parte I
Salmo 73
Quando Asafe
escreveu este salmo, já estava numa idade avançada, talvez entre os sessenta e
setenta anos. Havia passado toda a sua vida servindo ao Senhor, numa decisão
resoluta de agradar-lhe em tudo, e fazer a sua vontade, mesmo isso lhe custando
privações e renúncias dolorosas, ele atravessou as décadas firme em suas
convicções, fiel ao seu Deus. No entanto, logo no início do salmo encontramos
um Asafe vacilante, titubeante, revelando que estava pisando no lodo, no limo
de uma estrada escorredia, com questionamentos privados, pensamentos que, como
fantasmas o atormentavam e levava-o a duvidar do seu Deus, e da validade de sua
vida piedosa.
“Quanto a mim,
porém, quase me resvalaram os pés; pouco faltou para que se desviassem os meus
passos”. Vs. 2
Parece-me que os
seus questionamentos o conduziram á beira da apostasia, do abandono da devoção
ao seu Deus.
“Pouco faltou para que se desviassem os
meus passos”.
Estava orbitando
numa dimensão humana, satânica, que o envolvia e o cegava. O versículo primeiro
do salmo traz consigo um tom de sarcasmo para com a bondade e fidelidade de
Deus.
“Com efeito,
Deus é bom para com Israel, para com os de coração limpo”.
”Deus
é bom, mas não para mim. Vejo suas bênçãos nos outros, não na minha vida. Até o
ímpio goza do seu cuidado, eu, porém, tenho como recompensa aflições e cansaço.
Esta é a paga por minha devoção e fidelidade”. Num determinado momento da vida
de Asafe, a aparente paz e prosperidade do ímpio enganosamente tornaram-se uma
prova incontestável de que, Deus não é tão justo quanto diz ser. Vejamos o que
ele observou nos ímpios: vs. 3 a
12.
“Pois eu
invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos”.
Para eles não há
preocupações, o seu corpo é sadio e nédio.
Não partilham
das canseiras dos mortais, nem são afligidos como os outros homens. Daí a
soberba que os cinge como um colar, e a violência que os envolve como um manto.
Os olhos
saltam-lhes da gordura; do coração brotam-lhes fantasias.
Motejam e falam
maliciosamente; da opressão falam com altivez.
Contra os céus
desandam a boca, e a sua língua percorre a terra.
Por isso o seu
povo se volta para eles, e os tem por fonte de que bebe a largos sorvos.
E diz: como o
sabe Deus? Acaso há conhecimento no altíssimo?
Eis que são
estes os ímpios; e sempre tranqüilos, aumentam suas riquezas “.
Nos vs. 13 e 14 sentimos o tom de decepção e frustração do
velho salmista.
“Com efeito,
inutilmente conservei puro o coração e lavei as mãos na inocência”.
Ele conclui, que não valeu a pena guardar-se incontaminado
tentando agradar a Deus. Que foi inútil o esforço para ser um homem com um
coração puro, íntegro e reto diante dEle. Ele havia entrado numa fase de
completa desilusão. Desiludiu-se com sua fé, concluindo que todos os anos de
devoção foram como plumas ao vento. Suas esperanças de recompensas palpáveis
nesta vida por sua obediência tornaram-se uma grande decepção. O conflito era
titânico se levarmos em consideração que, estas conclusões foram tiradas já no
fim de sua vida, chegaram em sua velhice onde esperava estar muito mais firme e
amadurecido em Deus.
Justamente nesta fase, depois de ensinar a muitos, animar,
consolar, repreender, tornar-se um padrão de fé a ser seguido, conclui que sua
fé e suas esperanças não passavam de uma construção sobre a areia.
Não havia prosperado, pois invejava a prosperidade dos que
não temem a Deus vs. 3.
Eles não tinham preocupações, pois pareciam não adoecer...
“seu corpo é sadio e nédio, não partilham das canseiras dos mortais, nem são
afligidos como os outros homens” vs. 4-5.
que outros homens? Ele estava falando de si mesmo. Fui fiel a ti toda a
minha vida e veja o meu estado! Estou velho e doente, cheio de dores, artrite,
artrose, cansaço e enfado enquanto os ímpios estão gozando de boa velhice, para
eles não há preocupações, tudo parece dar certo.
Os ímpios são soberbos e cheios de violência, maliciosos e
opressores, irreverentes, não temem blasfemar de Deus e ainda são bem vistos e
bem recebidos pela sociedade, e com todas essas impiedades eles parecem estar
sempre tranqüilos e vão aumentando suas riquezas. Vs. 6-12.
algumas coisas atormentavam a mente desse homem de Deus, a
premiação do ímpio com saúde e riqueza e a aflição do justo com doenças e
pobreza.
Em sua amargura contra o suposto tratamento injusto que
recebia de Deus, Asafe descia cada vez mais para uma zona extremamente
perigosa;
“Pois de contínuo sou afligido, e a cada
manhã castigado”. Vs 14
Quando não entendemos que os caminhos de Deus São mais
altos que os nossos, e que, sua condução vem de um coração amoroso e cuidadoso
por nós, de um Deus que está obstinado a construir em nós o caráter perfeito de
seu filho Jesus, então, cada prova, cada obstáculo que nos é posto pelo caminho
tornam-se um castigo de Deus, uma punição e não um meio de transformação e
santificação. O coração amargurado vê até mesmo nas lutas diárias e inevitáveis
do dia a dia, um ato de injustiça de Deus. Era assim que asafe estava se
sentindo, injustiçado, traído, enganado pelo seu Deus que supostamente não
estava sendo tão fiel a ele como o próprio asafe havia sido durante toda a sua
vida.
“O Senhor folga para os ímpios e aperta para os seus
santos”. Onde está a tua justiça? Estas eram as suas acusações mais secretas
contra Deus. Ele não falava, não as expressava em público. Ninguém
sabia ou sequer imaginava que o “grande salmista e compositor” asafe estava a
beira da apostasia, assim como muitos filhos de Deus sinceros estão
silenciosamente morrendo, cansados e afadigados, sentindo-se frustrados e até
mesmo desamparados por Deus. Ele disse:
“Se eu pensara em falar tais palavras, já aí
teria traído a geração de teus filhos”. vs 15
continua...
Bom dia e a paz do SENHOR JESUS , cadê a seginda parte do drama de Azafe ? Gostei muito da primeira parte e quwro muito ler acparte dois se possivel for , DEUS continue lhe abençoando e lhe dando inspiração para continuar escrevendo .
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